Como educadora e como estudante, gostaria de refletir sobre o delicado processo da avaliação. Tenho pensado sobre até que ponto tenho feito a coisa certa, até que ponto tenho tentado acertar e o quanto meus erros influem sobre os outros. Na verdade, é preciso repensar tudo, pois a cada dia nos vemos em novas situações e para cada uma delas devemos nos reposicionar. A avaliação não é um processo estático, padronizado. Cada caso é um caso.
Convém lembrar o que é uma avaliação: avaliar faz parte do processo de ensino e aprendizagem e serve como condição para mudar a prática e redimensionar o processo de ensino e aprendizagem – vejam: ENSINO E APRENDIZAGEM! - e como dizem por aí, trata-se de uma “via de mão-dupla”, pois não ensinamos sem avaliar, não aprendemos sem avaliar e, em se tratando de “trânsito”, é sempre saudável pegar o primeiro retorno e tentar acertar o caminho caso estejamos no trajeto errado.
Enquanto educadores, estamos nos autoavaliando? Estamos refazendo o caminho? Estamos oportunizando a autonomia e a autodireção aos nossos alunos? Essas são algumas perguntas que devemos nos fazer o tempo todo.
Normalmente nós, professores, reduzimos a avaliação a um mero instrumento de medição para verificar o que estudante aprendeu ou não mediante o conteúdo ensinado – é isso também, mas vai além. Seríamos ingênuos se não reconhecêssemos que usamos essas medidas para exercer o controle sobre o comportamento dos estudantes. Eis um exemplo do poder tal qual Foucault brilhantemente nos alertou. Não sei se ele gostaria desse “brilhantemente”, mas no momento não me ocorre palavra melhor. O poder de dar uma nota é sedutor! Induzimos nossos alunos à subordinação e tentamos controlar o comportamento deles graças ao ameaçador resultado de uma avaliação. Que coisa medonha! Eu ainda não tinha parado para pensar sobre isso.
Além do aspecto formal da nota, do número, a avaliação implica também um olhar sobre os valores e as atitudes de nossos estudantes e aí mora o perigo: a medição torna-se subjetiva e seu caráter, duvidoso. Informalmente, avaliamos muito mais do que deveríamos. Não quero citar o “currículo oculto” senão este texto não vai terminar tão cedo, e eu não tenho muito tempo. Estou sob um determinado impacto e não quero me distanciar dele.
Finalmente cheguei onde queria: o aspecto informal da avaliação. Reconheço que todo processo avaliativo implica na formulação de juízos de valor ou em apreciações, mas até que ponto esse aspecto avaliativo pode comprometer a credibilidade no instrumento avaliativo e no avaliador? Quem avalia subjetivamente está também julgando o subjetivo do outro e isso pode perfeitamente prejudicar a autonomia daquele que está sendo avaliado, sobre quem exercemos o poder.
Os juízos de valor partem de um lado e de outro, ou seja, de professores e alunos - ação e reação ou parte inerente do ser humano? Muita calma nessa hora! Particularmente, acredito que os juízos de valor devem ser guardados e não usados para medir, excluir, valorar, punir, adjetivar, premiar, duvidar ou o extremo: caluniar.
Os juízos de valor interferem para o bem ou para o mal nas relações entre professores e alunos e o que separa o justo do injusto é uma linha muito tênue. Quando os juízos de valor são negativos resulta em prejuízo do estudante, pois o preconceito que se forma sobre ele afeta consideravelmente sua autoestima e extermina oportunidades de aprendizagem.
Ser professor não é fácil. Ser professor, ou melhor, ser educador é lidar com vidas, com almas, com sentimentos. Não posso perder isso de vista. Não posso reduzir um aluno a um mero número ou a uma adjetivação. Meu aluno é um alguém, é uma pessoa – tem história, tem sentimentos. Meu aluno não poder ser visto como uma tábua rasa na qual sou eu quem vai talhar alguma coisa. Ele já veio talhado e ele quer confiar em mim. Sou eu quem vai duvidar da capacidade dele? Antes que eu cometa alguma injustiça – e eu não estou livre disso – preciso me despir da dúvida, do preconceito, e me autoavaliar o tempo todo.
Quando um professor diz que sabe do que seus alunos são capazes ou não, está generalizando, empregando juízo de valor e cometendo injustiça. Na verdade, é o trabalho desse professor que está em questão, pois quando age dessa forma está impondo sobre o outro aquilo o que ele acha que é, e não o que deveria ser e não é esse o papel de um professor. Convém refletirmos sobre isso se quisermos viabilizar uma melhor qualidade de ensino e promover a verdadeira aprendizagem.
Meu texto também está impregnado de juízos de valor, mas não pretendo convencer ninguém. Quis apenas expor meu ponto de vista acerca da avaliação subjetiva que fazemos do outro. Estou aberta para outras opiniões. Minha cabeça não é quadrada.

Um comentário:
Oi Professora sou eu rosaria da 3001 adorei seu blog tah Lindo !!
Gostaria que a senhora fosse ate nosso blog ver se estah tdu bem lembre-se que a senhora prometeu nos ajuda, ver se esta bom ou se precisa melhorar alguma coisa.Me Ajude estou encarregada de posta as Colunas no blog junto com o lucas!
Beijos...Turma 3001 !
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