sexta-feira, 16 de abril de 2010

LER MARIA CLARA MACHADO E SAIR VENTAROLANDO POR AÍ




Foi muito bom entrar em contato novamente com um texto teatral. Já havia me esquecido de suas “marcas” e de como tudo acontece rápido. “A menina e o vento” foi a primeira peça teatral infantil que li. Não conhecia nada de Maria Clara Machado, a não ser “Pluft, o fantasminha” quando exibido como novela há muitos anos atrás.
Quando ouço falar em teatro infantil, penso que são crianças encenando para crianças. Nem sempre me ocorreu que adultos encenam para crianças também. Esse é um dos traços de minha ignorância acerca do universo teatral, principalmente o infantil.
O texto de Maria Clara Machado flui tão bem que por vezes parecia sentir-me no teatro; por vezes, parecia que eu fazia teatro. Peguei-me várias vezes lendo em voz alta tentando interpretar alguns daqueles papéis. Acho que isso acontece com todo mundo. Interpretei Maria, Pedro, a mãe, e a minha personagem favorita, a tia Adelaide – sempre me simpatizo com as “vilãs”.
Arrisco-me dizer que Maria e o Vento, nessa história, eram coadjuvantes. A trama se passa em torno do sumiço deles, mas quem assume toda a graça conferida ao texto é o atrapalhado Comissário Plácido e seus ajudantes. Dei algumas risadas por causa deles. Penso que dariam um belo trio de palhaços em espetáculo circense. E isso não é demérito!
“A menina é o vento” é um grito, um alerta sobre o que estamos fazendo com as nossas crianças ao privá-las da liberdade de brincar, de criar, de inventar. Mostra-nos a pequenez de nossas atitudes diante de situações tão simples do dia-a-dia como, por exemplo, privar-nos de ser crianças um pouquinho que seja. A rudeza da vida por vezes obscurece essa visão e impede que subamos na cacunda do vento para fazer umas desordens por aí . Quando foi a última vez que me permiti ventarolar? Já não me lembro...
“A menina e o vento” é uma peça teatral infantil, mas permeada de lições de vida para adultos mal resolvidos, rabugentos e desmemoriados – porque a gente esquece que um dia foi criança, mesmo que não tenha tido “infância”.
Quanto ao jogo teatral em si, “A menina e o vento” , além de nos chamar para ventarolar o mundo através da linguagem verbal e não-verbal (cenário, vento, luz etc), nos remete a uma postura lúdica bem desenhada por Maria Clara Machado. Gostaria de ver esse texto encenado.

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